Gazeta São Mateus

Associação Rosa Mulher Grupo de apoio ao Câncer de Mama

Associação Rosa Mulher Grupo de apoio ao Câncer de Mama

Associação Rosa Mulher   Grupo de apoio ao Câncer de Mama
julho 13
20:18 2018

A Associação Rosa Mulher – Grupo de Apoio as Mulheres com Câncer de Mama de São Mateus. Foi fundada em /3/2012 por iniciativa de Beatriz Helena Dobke, ela própria vitima desse tipo de doença e desde então tem se constituído em um espaço de amparo e apoio às mulheres com o mesmo problema.
Na ocasião em que tomou conhecimento e buscou apoio e tratamento para o seu infortúnio, Beatriz desenvolveu um trabalho visando reconquistar a obrigatoriedade de o governo ter que dispor às pacientes em tratamento transporte específico. Na ocasião o governo havia suspendido esse tipo de serviço.
Enquanto fazia uma ação individual para o seu caso, teve consciência cidadã para buscar estender esse serviço às outras tantas vitimas e foi orientada pela Defensoria Pública a constituir uma organização não governamental (ONG). Conheceu e começou a frequentar como voluntária a Associação Viva Melhor de Santo André, quando em 2006 o estado retornou com o direito ao transporte às que faziam tratamento de quimioterapia e radioterapia, os métodos mais comuns para o tratamento da doença.
Enquanto se tratava permaneceu como voluntária até 2007, afastando-se depois por três anos em função de uma quase depressão pela perda da sua mãe também vitima de câncer no período. Como forma de manter a sanidade mental voltou ao voluntariado em Santo André até que, em 2010, resolveu levar o mesmo tipo de trabalho de amparo para São Mateus onde mora há mais de 30 anos.
Com apenas 10 pessoas, todas voluntárias, fundou a Rosa Mulher tendo na sua composição um médico, um assistente social e um psicólogo. Ao todo, trabalham hoje na associação 16 voluntários em sede mantida através da doação do valor de aluguel por parte de um dos doadores e por parte de uma imobiliária que dispensou a necessidade do fiador e seu respectivo valor mensal.
A manutenção do espaço e o seu funcionamento só é possível através de algumas iniciativas, entre elas bazar e brechó uma vez por mês; doações esporádicas e a taxa simbólica de R$ 15 para um curso de artesanato cobrado das pessoas que não são pacientes. Pacientes amparados pela associação participam do curso de forma gratuita.
Com custos fixos entre locação e despesas de manutenção acima de R$ 1700,00 ao mês, a associação estuda oportunidades de poder estabelecer convênios via recursos do ‘Nota Fiscal Paulista’, por exemplo, ou outros, para continuar e melhorar o atendimento.
Com a experiência acumulada Beatriz destaca que parte importante do tratamento das mulheres vitimadas pelo câncer de mama é o respaldo psicológico e psicoterápico. Por essa razão a entidade dispõe de psicóloga todas às 2as feiras entre 14 e 16h30 e às 5as feiras das 10 às 11h30 com profissionais voluntárias. Como parte psicoterápica, além da própria convivência no espaço, é oferecido os cursos de artesanato, pintura, bordado, crochê, etc.
Próteses e perucas são feitas no local
É publico e notório que parte importante do processo de tratamento do câncer de mama tem a ver com a quimioterapia que tem entre suas consequências a perda momentânea de cabelos. Para tanto a associação aceita doações de cabelos de qualquer espécie que tenha, pelo menos, 15 centímetros de comprimento e estejam amarradas para confeccionar as perucas que são usadas pelas pacientes durante o processo.
As perucas são emprestadas às pacientes que as devolvem quando seus cabelos voltam a crescer, o que em geral sempre acontece. Desenvolvem também oficinas e disponibilizam turbantes como opção para esse período do tratamento para as mulheres que assim o desejarem.
Já as próteses, que como as perucas são feitas no próprio local por voluntárias que aprenderam e dominam as técnicas, também estão disponíveis para os casos onde houve a perda da mama por extração. Beatriz destaca que as próteses são de dois tipos; uma para momentos depois da extração da mama em espuma e tecido e a outra já utilizando polipropileno doado por uma empresa local e tecidos para após as cicatrizações. “Temos que destacar que a utilização das próteses vai além da função estética. A recomposição da mama artificial em forma de prótese tem a ver com a necessidade de compensação em termos de peso corpóreo. Sem essa compensação a mulher pode ter problemas de equilíbrio e coluna”, explica Beatriz.
No caso das próteses, que no caso são feitas desde fevereiro deste ano, após curso feito por uma das voluntárias em dezembro do ano passado, a associação usa modelos já comprovadamente eficientes que também são utilizados em outras associações. Sempre há, entre os voluntários, aqueles que se mantem atualizados com relação à confecção delas. São próteses feitas com orientação médica. Diversas próteses confeccionadas na ‘Rosa Mulher’ tem atendido, inclusive, mulheres de outros estados.
Um guia prático
Com tanta experiência acumulada, a associação criou um guia prático para as famílias que começam a enfrentar o surgimento da doença entre os seus. “Na maioria dos casos, quando há o diagnóstico de câncer de mama, a vítima e a família ficam desesperadas; a mulher fica abatida e tudo passa a ser um mistério, o que não é. Por isso elaboramos um guia explicativo do que se trata, quais os tipos de terapias e tratamentos estão disponíveis”, diz Beatriz.
Além disso, a associação participa anualmente entre março de julho na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, que cede o espaço, de cursos de capacitação e atualização quanto às novas abordagens da doença. “Sempre há um de nós nessas capacitações que trás as atualizações em termos de tratamento, abordagens e remédios. O encontro é sempre útil para a manutenção do serviço que prestamos”, informa.
Finalizando Beatriz afirma que 50% do sucesso no tratamento ao câncer de mama são de natureza psicológica. “É preciso que a mulher, diagnosticada com câncer de mama, se faça apenas uma pergunta: se quer viver ou morrer”. A partir dessa resposta, que esperamos sempre positiva, ela deve buscar ajuda e os tratamentos que estão disponíveis, além de cercar-se de pessoas positivas. “Feito isso, metade do tratamento já é um sucesso”, pontua.
Serviço: para quem precisa de orientação ou queira ajudar basta procurar a associação na Rua Dr. José Cioffi, 494, São Mateus, nas imediações da Avenida Matei Bei. (LM/JM)

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