Estrada Velha de Santos é reaberta para visitação a pé

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O Governo do Estado liberou a Estrada Caminho do Mar (SP-148), também conhecida como Estrada Velha de Santos, a partir da subida, em Cubatão. As visitas agendadas poderão ser feitas todos os últimos sábados de cada mês.
Entre as atrações estão a vegetação nativa e monumentos erguidos há quase 100 anos para comemorar a Independência do Brasil. Os visitantes terão ainda a oportunidade de conhecer a Calçada do Lorena, estrada de pedra construída por engenheiros sobre um antigo caminho de mulas por onde Dom Pedro I subiu a Serra. A Estrada Velha foi inaugurada no século XIX.
Moradores de Cubatão terão prioridade. A concentração dos grupos vai ocorrer na altura do pontilhão da Serra, perto da Refinaria Presidente Bernardes-Cubatão (RPBC). O passeio deve durar, em média, quatro horas, ao custo de R$ 31,00 por pessoa, com acompanhamento de guia. O passeio termina no portal da estrada em São Bernardo do Campo. É importante que os participantes – da Baixada Santista ou da Capital – pensem nos meios de transporte para o retorno, pois não há linhas de ônibus ou outros meios naquele local.
O agendamento deve ser feito no site www.parqueestadualserradomar.sp.gov.br/pesm/ ou pelo telefone (11) 2997-5000, ramal 356, com atendimento durante o horário comercial.
História
Fechada em 1985 para o tráfego de automóveis, a Estrada Velha de Santos, ou Caminho do Mar, faz parte da história de São Paulo. Muitos ainda se recordam do tempo em que aquela estrada de curvas acentuadas era o trajeto imperativo para quem se dirigia à Baixada Santista, antes da inauguração da Rodovia Anchieta em 1947.
É fato que do seu surgimento, no período colonial, até sua desativação, na década de 1980, a rota cumpriu papel fundamental para formação da capital paulista e desenvolvimento do País. As imagens do Acervo Estadão mostram um pouco dessa trajetória.
Os caminhos até o mar
A mais antiga rota do interior do País para o litoral Atlântico surgiu por volta de 1560, quando o governador Mem de Sá recorreu aos jesuítas para que abrissem uma trilha, alternativa às indígenas, para transpor a Serra do Mar. A vereda recebeu o nome de Caminho do Padre Anchieta e tornou-se o caminho usado para o transporte de ouro até Santos e para o comércio de produtos.
Em 1792, um novo trajeto foi aberto, a Calçada do Lorena. Toda pavimentada em lajes, a notável obra de engenharia do período foi idealizada para dinamizar o comércio e escoar a produção.
Foi por essa rota que o príncipe regente D. Pedro subiu a serra em direção a São Paulo para proclamar a Independência do Brasil em 7 de setembro de 1822. No Brasil Império, em 1844, a rota foi melhorada e ganhou o nome de Estrada da Maioridade em homenagem ao menino regente D. Pedro II. Vinte anos depois, a estrada passou por mais uma reforma e foi reinaugurada como o nome de Estrada Vergueiro em 1864.
Estrada de Rodagem
No século 20 a rota ganhou mais dois nomes e uma música. A rota chamada então de Caminho do Mar, ou Estrada do Mar, foi usada pela primeira vez por automóveis em 1908, no que ficou conhecido como o primeiro “Raid automobilístico São Paulo- Santos”. Em 1913, ela passou por obras – pedras de macadame foram usadas para cobrir a estrada – e foi adaptada para o tráfego de automóveis.
Na década de 1920 foi pavimentada com concreto e se tornou a primeira rodovia da América Latina. Com a inauguração da Via Anchietaem 1947, a rota passou a ser um trajeto secundário e ganhou o nome de Estrada Velha. Em 1969, a estrada que ainda estava em atividade serviu de inspiração para a canção As curvas da estrada de Santos de Roberto Carlos. Em 1985, ela foi desativada. Desde 2004, a estrada está aberta para passeios turísticos. Além de exuberantes paisagens da Mata Atlântica, o percurso reserva um conjunto de monumentos históricos, como o Belvedere Circular e as pedras originais da Calçada de Lorena.
Da Redação com informações do site A Tribuna e acervo O Estado de S.Paulo.

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