Gazeta São Mateus

Outubro Rosa – 5ª caminhada pela vida

Outubro Rosa – 5ª caminhada pela vida

Outubro Rosa – 5ª caminhada pela vida
outubro 30
17:43 2018

A Associação Rosa Mulher – Grupo de Apoio e na Luta das Mulheres contra o Câncer de Mama de São Mateus foi fundada em /3/2012 por iniciativa de Beatriz Helena Dobke, ela própria vitima desse tipo de doença e desde então tem se constituído em um espaço de amparo e apoio às mulheres com o mesmo problema.
Na ocasião em que tomou conhecimento e buscou apoio e tratamento para o seu infortúnio, Beatriz desenvolveu um trabalho visando reconquistar a obrigatoriedade de o governo ter que dispor às pacientes em tratamento transporte específico. Na ocasião o governo havia suspendido esse tipo de serviço.
Enquanto fazia uma ação individual para o seu caso, teve consciência cidadã para buscar estender esse serviço às outras tantas vitimas e foi orientada pela Defensoria Pública a constituir uma organização não governamental (ONG). Conheceu e começou a frequentar como voluntária a Associação Viva Melhor de Santo André, quando em 2006 o estado retornou com o direito ao transporte às que faziam tratamento de quimioterapia e radioterapia, os métodos mais comuns para o tratamento da doença.
Enquanto se tratava permaneceu como voluntária até 2007, afastando-se depois por três anos em função de uma quase depressão pela perda da sua mãe também vitima de câncer no período. Como forma de manter a sanidade mental voltou ao voluntariado em Santo André até que, em 2010, resolveu levar o mesmo tipo de trabalho de amparo para São Mateus onde mora há mais de 30 anos.
Com apenas 10 pessoas, todas voluntárias, fundou a Rosa Mulher tendo na sua composição um médico, um assistente social e um psicólogo. Ao todo, trabalham hoje na associação 16 voluntários em sede mantida através da doação do valor de aluguel por parte de um dos doadores e por parte de uma imobiliária que dispensou a necessidade do fiador e seu respectivo valor mensal.
A manutenção do espaço e o seu funcionamento só é possível através de algumas iniciativas, entre elas bazar e brechó uma vez por mês; doações esporádicas e a taxa simbólica de R$ 15 para um curso de artesanato cobrado das pessoas que não são pacientes. Pacientes amparados pela associação participam do curso de forma gratuita.
Com custos fixos entre locação e despesas de manutenção acima de R$ 1700,00 ao mês, a associação estuda oportunidades de poder estabelecer convênios via recursos do ‘Nota Fiscal Paulista’, por exemplo, ou outros, para continuar e melhorar o atendimento.
Com a experiência acumulada Beatriz destaca que parte importante do tratamento das mulheres vitimadas pelo câncer de mama é o respaldo psicológico e psicoterápico. Por essa razão a entidade dispõe de psicóloga todas às 2as feiras entre 14 e 16h30 e às 5as feiras das 10 às 11h30 com profissionais voluntárias. Como parte psicoterápica, além da própria convivência no espaço, é oferecido os cursos de artesanato, pintura, bordado, crochê, etc.
Próteses e perucas são feitas no local
É publico e notório que parte importante do processo de tratamento do câncer de mama tem a ver com a quimioterapia que tem entre suas consequências a perda momentânea de cabelos. Para tanto a associação aceita doações de cabelos de qualquer espécie que tenha, pelo menos, 15 centímetros de comprimento e estejam amarradas para confeccionar as perucas que são usadas pelas pacientes durante o processo.
As perucas são emprestadas às pacientes que as devolvem quando seus cabelos voltam a crescer, o que em geral sempre acontece. Desenvolvem também oficinas e disponibilizam turbantes como opção para esse período do tratamento para as mulheres que assim o desejarem.
Já as próteses, que como as perucas são feitas no próprio local por voluntárias que aprenderam e dominam as técnicas, também estão disponíveis para os casos onde houve a perda da mama por extração. Beatriz destaca que as próteses são de dois tipos; uma para momentos depois da extração da mama em espuma e tecido e a outra já utilizando polipropileno doado por uma empresa local e tecidos para após as cicatrizações. “Temos que destacar que a utilização das próteses vai além da função estética. A recomposição da mama artificial em forma de prótese tem a ver com a necessidade de compensação em termos de peso corpóreo. Sem essa compensação a mulher pode ter problemas de equilíbrio e coluna”, explica Beatriz.
No caso das próteses, que no caso são feitas desde fevereiro deste ano, após curso feito por uma das voluntárias em dezembro do ano passado, a associação usa modelos já comprovadamente eficientes que também são utilizados em outras associações. Sempre há, entre os voluntários, aqueles que se mantem atualizados com relação à confecção delas. São próteses feitas com orientação médica. Diversas próteses confeccionadas na ‘Rosa Mulher’ tem atendido, inclusive, mulheres de outros estados.
Um guia prático
Com tanta experiência acumulada, a associação criou um guia prático para as famílias que começam a enfrentar o surgimento da doença entre os seus. “Na maioria dos casos, quando há o diagnóstico de câncer de mama, a vítima e a família ficam desesperadas; a mulher fica abatida e tudo passa a ser um mistério, o que não é. Por isso elaboramos um guia explicativo do que se trata, quais os tipos de terapias e tratamentos estão disponíveis”, diz Beatriz.
Além disso, a associação participa anualmente entre março de julho na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, que cede o espaço, de cursos de capacitação e atualização quanto às novas abordagens da doença. “Sempre há um de nós nessas capacitações que trás as atualizações em termos de tratamento, abordagens e remédios. O encontro é sempre útil para a manutenção do serviço que prestamos”, informa.
Finalizando Beatriz afirma que 50% do sucesso no tratamento ao câncer de mama são de natureza psicológica. “É preciso que a mulher, diagnosticada com câncer de mama, se faça apenas uma pergunta: se quer viver ou morrer”. A partir dessa resposta, que esperamos sempre positiva, ela deve buscar ajuda e os tratamentos que estão disponíveis, além de cercar-se de pessoas positivas. “Feito isso, metade do tratamento já é um sucesso”, pontua.
Serviço: para quem precisa de orientação ou queira ajudar basta procurar a associação na Rua Dr. José Cioffi, 494, São Mateus, nas imediações da Avenida Matei Bei. (LM/JM)

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