Crise no Hospital São Mateus ganha novo capítulo na Alesp sobre pressão popular

Audiência pública reúne moradores, trabalhadores da saúde e parlamentares e reforça cobrança por respostas concretas do governo estadual diante de falhas recorrentes no atendimento.
A grave situação do Hospital Geral de São Mateus (HGSM), na zona leste de São Paulo, voltou ao centro do debate público após audiência realizada nesta segunda-feira (27), na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). O encontro foi promovido pela deputada estadual Professora Bebel (PT) em parceria com o vereador Alessandro Guedes (PT), liderança do partido na Câmara Municipal, e reuniu usuários do sistema, profissionais da saúde e lideranças da região.
A realização da audiência, inclusive, já havia sido antecipada em primeira mão pelo Gazeta São Mateus, durante entrevista recente concedida pelos dois parlamentares ao jornal, quando alertaram para a necessidade de ampliar a discussão e dar visibilidade à crise enfrentada pela unidade.
Relatos expõe rotina de dificuldade.
Durante a audiência, depoimentos de pacientes e familiares evidenciaram um cenário de superlotação, demora no atendimento e dificuldades no acesso a exames e procedimentos. Profissionais da saúde também relataram desafios enfrentados no cotidiano, como falta de equipes completas e limitações estruturais que comprometem o atendimento.
As falhas apontadas não são recentes. Moradores da região destacaram que os problemas se repetem há anos, agravados pelo aumento da demanda em uma unidade que atende toda a região de São Mateus e bairros vizinhos.
Cobrança por responsabilidade do Estado
A deputada Professora Bebel classificou o quadro como crítico e defendeu uma resposta imediata do governo estadual. “Não é aceitável que a população enfrente condições precárias em um serviço essencial. A responsabilidade pela situação é estrutural e deve ser enfrentada com investimento, planejamento e recomposição de equipes”, citou. Ela ressaltou que os profissionais atuam sob pressão constante e, muitas vezes, sem condições adequadas de trabalho.
Já o vereador Alessandro Guedes destacou a importância da audiência como instrumento de pressão e visibilidade. “Esses relatos reforçam a necessidade de aprofundar a apuração sobre o funcionamento do hospital e garantir transparência nas informações. A mobilização popular é fundamental para avançar na cobrança por melhorias, lembrando que a demanda por um atendimento mais digno na região é histórica e ainda carece de respostas efetivas”, afirmou Guedes.

Mobilização social
A audiência contou com a presença de representantes da Secretaria Estadual da Saúde, direção do hospital, movimentos populares de saúde e parlamentares.
Usuários do SUS relataram dificuldades especialmente em momentos de alta demanda, quando o hospital, referência na região, enfrenta limites operacionais que impactam diretamente a população.

Ecaminhamentos
Como resultado do encontro, foram anunciadas medidas para dar continuidade às apurações, incluindo pedidos formais de informação aos órgãos responsáveis e a possibilidade de novas audiências públicas, inclusive no próprio território de São Mateus. A expectativa é ampliar o debate com a comunidade e fortalecer a cobrança por ações estruturais que garantam atendimento adequado e digno.

Com 35 anos de funcionamento, o Hospital Geral de São Mateus conta com cerca de 186 leitos instalados, dos quais aproximadamente 162 estão em operação. A unidade realiza, em média, 15 mil atendimentos mensais no pronto-socorro.
Apesar de possuir mais de 800 funcionários, o hospital enfrenta déficit de profissionais, especialmente na enfermagem e em especialidades médicas. Mesmo com taxa de ocupação próxima de 85%, a estrutura não tem sido suficiente para atender à crescente demanda da região.

