São Paulo acuada: até quando vamos tolerar ataques aos ônibus?

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A cena virou rotina cruel em São Paulo, na Grande São Paulo e no litoral: ônibus apedrejados, incendiados ou depredados sob olhar atônito de quem precisa trabalhar, estudar, viver. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss), desde janeiro, já houve 855 casos de vandalismo e depredação contra ônibus municipais na capital. Os dados não incluem os ônibus intermunicipais ou do litoral, que também sofreram ataques.

O saldo de violência já deixou pelo menos 23 pessoas feridas, muitas atingidas por estilhaços de vidro ou queimaduras em coletivos incendiados.

O que antes parecia um “ato isolado” virou campanha de terror sobre rodas: empresas de transporte amargam prejuízos milionários, menos ônibus circulam, linhas inteiras sofrem atrasos e a lotação explode. Resultado? A população paga a conta — não apenas com a tarifa, mas com a insegurança e o transtorno diários.

As forças de segurança fazem operações e cercos, mas os ataques seguem dia após dia. A Polícia Militar lançou uma megaoperação com cerca de 8.000 policiais e mais de 3.600 viaturas mobilizadas até o fim do mês.
A sociedade e todos aqueles que dependem do transporte coletivo na capital e na região metropolitana cobram respostas mais ágeis, investigações que vão além do boletim de ocorrência e prisões dos responsáveis, sejam eles articuladores em redes sociais, vândalos oportunistas ou grupos criminosos.

Motoristas e cobradores estão traumatizados

Muitos se recusam a rodar em determinados itinerários. Passageiros se amontoam em coletivos reduzidos por causa de veículos incendiados ou danificados. São trabalhadores que perdem o emprego por atraso, mães que não conseguem levar o filho ao médico, estudantes que faltam aula. A cidade inteira paga.

É crime organizado ou não? É vandalismo coordenado ou espontâneo?

O que sabemos é que existe uma forte onda de ataques contra ônibus municipais em São Paulo, com centenas de ocorrências já registradas desde janeiro, aumento expressivo em junho/julho, policiamento reforçado, prisões em andamento e investigação de motivações que vão desde disputas no setor e desafios virtuais até possível envolvimento de organizações criminosas.

A Secretaria de Segurança Pública reforça que as forças de segurança seguem mobilizadas e destaca a continuidade da Operação Impacto para proteger passageiros e profissionais do transporte público.

A população de São Mateus, da zona leste e de toda São Paulo cobra: não dá mais para viver refém do medo. Não dá mais para o transporte público ser alvo de criminosos. O povo quer segurança para andar de ônibus. Quer poder sair e voltar para casa sem rezar para não virar estatística. É hora de resposta à altura. Antes que o próximo ônibus seja atacado — e com ele a nossa paciência.

Lucy Mendonça
Jornalista responsável pelo Jornal
Gazeta São Mateus
MTB 43029-SP

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