Agosto Lilás e a epidemia de violência contra a mulher

Agosto é o mês em que se veste lilás para lembrar: a violência contra a mulher não é um problema doméstico, é um crime que exige ação urgente do poder público e da sociedade. Em vez de diminuir, os casos de feminicídio e agressões crescem de forma alarmante.
Somente no primeiro semestre, mais de 700 mulheres foram assassinadas no Brasil. Em São Paulo, os números também são brutais: foram 94 feminicídios registrados até julho (dados da Secretaria de Segurança Pública).
O caso mais recente que chocou o país inclusive ocorreu em São Paulo: a médica de 27 anos, vítima de espancamento pelo namorado fisiculturista, foi brutalmente agredida com 61 socos, internada em estado grave e teve de passar por cirurgia para reconstrução do rosto. O agressor está preso por tentativa de homicídio. Motivo alegado? Ciúmes!
Não é um episódio isolado. Dias antes, em outra parte do Brasil, uma mulher conseguiu escapar da agressão ao ligar para o Disque 180 fingindo pedir uma pizza. O atendente entendeu, acionou a polícia e o agressor foi preso em flagrante.
Esses casos escancaram duas realidades. A primeira: as mulheres estão apanhando, sendo violentadas e morrendo dentro de suas próprias casas. A segunda: elas estão criando códigos, estratégias e riscos para salvar a própria vida — porque o sistema ainda falha em protegê-las.
A explosão dos casos de violência contra a mulher nos últimos anos tem várias causas. O aumento da intolerância, do machismo violento e do discurso de ódio nas redes sociais, somado à crise econômica e ainda pouco investimento em políticas públicas de proteção.
Ainda assim, existem redes que funcionam e precisam ser fortalecidas. O Disque 180 é um canal essencial e gratuito, que funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. Também é possível buscar ajuda nas Delegacias da Mulher, no Ministério Público, nos Centros de Referência de Atendimento à Mulher e em Organizações Não Governamentais que atuam na defesa dos direitos femininos.
É fundamental que a polícia esteja capacitada para acolher essas denúncias e agir com agilidade. A formação dos profissionais de segurança pública precisa incluir o combate à violência de gênero como prioridade. E os governos devem investir em casas-abrigo, em centros de apoio psicológico e jurídico, e em campanhas permanentes de conscientização nas escolas e comunidades.
Na Capital Paulista
Até julho de 2025, 343 agressores foram presos em São Paulo após vítimas acionarem o botão do pânico do App Mulher, exclusivo para mulheres com medida protetiva. A tecnologia Smart Sampa tem agilizado esses atendimentos. Hoje, 5.497 mulheres estão protegidas pelo programa Guardiã Maria da Penha.
Reforço nacional
O Ministério das Mulheres do Governo Federal lançou o Painel de Dados do Ligue 180, plataforma interativa que sistematiza os atendimentos da Central de Atendimento à Mulher. A ação marca os 19 anos da Lei Maria da Penha e integra a campanha Agosto Lilás. De janeiro a julho, o Ligue 180 somou 594.118 atendimentos – 86.025 eram denúncias de violência contra mulheres em todo o país.
Enquanto uma mulher for agredida a cada quatro minutos, enquanto uma mãe for enterrada por seu companheiro, enquanto uma médica for espancada até o coma, nenhuma de nós estará segura. A dor de uma é a dor de todas. E o silêncio, neste caso, também mata.
por: Lucy Mendonça
Jornalista responsável pelo Jornal
Gazeta São Mateus
MTB 43029-SP
Entre desafios reais e a esperança que resiste em São Mateus
31 de dezembro de 2025São Paulo acuada: até quando vamos tolerar ataques aos ônibus?
15 de julho de 2025O fim da Jornada 6×1 e suas consequências
28 de dezembro de 2024
Leave a reply Cancelar resposta
-
Empresários pedem socorro para a Rua Particular Timão na 3ª Divisão
13 de maio de 2024







