Sabesp na mira dos moradores de São Mateus

Falta d’água constante, gosto e odor de lodo, contas abusivas e atendimento precário revoltam moradores de São Mateus, Iguatemi e Parque São Rafael
A crise no abastecimento de água na Zona Leste de São Paulo segue se agravando e atinge diretamente moradores dos distritos de São Mateus, Iguatemi e Parque São Rafael. Denúncias de falta frequente de água, má qualidade do abastecimento, tarifas elevadas e atendimento ineficiente colocam a Companhia de Saneamento Básico e de Esgoto (Sabesp) no centro das reclamações de uma população que já não aguenta mais o descaso.
“Estamos bebendo água podre”
Diretora do Jornal Gazeta São Mateus e moradora do Jardim Santa Bárbara, Lucy Mendonça relata que a situação é alarmante.
“A água que chega nas torneiras tem gosto de lodo, gosto de remédio. É impossível beber. Estou comprando água porque a da Sabesp está insuportável. Estamos bebendo água podre, e isso pode estar contaminando as pessoas”, denuncia.
Segundo Lucy, a falta d’água virou rotina. “É dia sim, dia não sem água. Isso acontece em São Mateus, Iguatemi, Parque São Rafael. A região cresceu, recebeu prédios, condomínios, mas a estrutura não acompanhou.”
Mais de 450 mil pessoas afetadas
Os três distritos somam cerca de 450 mil moradores, uma das regiões mais populosas da Zona Leste, com enorme demanda por serviços públicos. Mesmo assim, bairros inteiros ficam horas e até dias sem abastecimento regular.
Reclamações explodem, lucro dispara
Em dois anos, as reclamações contra a companhia aumentaram 162%, saltando de 3 mil para mais de 10 mil registros em 2024. No mesmo período, a empresa registrou lucro líquido ajustado de R$ 6,3 bilhões em 2025, crescimento de 22%, após a privatização realizada há dois anos pelo governo do Estado.
Enquanto isso, mais de 2 mil funcionários experientes foram demitidos, e as multas aplicadas à empresa chegaram a R$ 250 milhões.
Conta mais cara, serviço pior
Moradores também denunciam contas abusivas, com cobrança de taxa de disponibilidade até para quem não utiliza a rede de esgoto. “A água falta, mas o relógio corre”, é a reclamação recorrente.
No Jardim Vila Bela, os moradores Hamilton Clemente e Douglas Mendes, lideranças de São Mateus, relatam que a comunidade chega a ficar de dois a três dias sem água.“Tem gente comprando água para cozinhar e tomar banho. Comerciantes estão tendo prejuízo enorme. É abandono total”, afirma Hamilton.
Douglas reforça que o problema vai além da água.
“Falta água, falta energia e ninguém resolve. A gente liga, cai na URA, não tem retorno. O morador se sente ignorado.”
No Jardim São Francisco e Jardim Santo André, onde vivem cerca de 30 mil famílias, o líder comunitário Jerônimo Barreto aponta falhas constantes no abastecimento, atendimento eletrônico ineficiente e aumento das tarifas. “Antes tinha atendimento humano, diálogo. Hoje é só burocracia e descaso.”
No Iguatemi, a moradora Cleide Santos Araújo, do Jardim Alto Alegre, denuncia obras mal executadas que deixaram buracos nas vias e causaram acidentes.
Cobrança por respostas urgentes
O Jornal Gazeta São Mateus, em nome da população de São Mateus, cobra respostas imediatas, transparência e medidas urgentes. Água é um direito básico. A população não pode continuar pagando caro por um serviço precário. A Sabesp precisa explicar, agir e respeitar os moradores de São Mateus, Iguatemi e Parque São Rafael.





