Movimento “SOS Hospital São Mateus das vitimas “ ganha força

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A redação do Gazeta São Mateus recebeu no dia 20 de março a visita do líder comunitário Aguinaldo Silva França, o Guigui do Jardim São Francisco, com atuação há mais de três décadas na comunidade. A entrevista expôs, com relatos contundentes, o que ele define como uma situação “dramática e insustentável” no Hospital Geral de São Mateus, unidade estadual que atende milhares de moradores da região.


Durante a conversa, Guigui relembrou que o hospital já foi referência. “Na época, a maternidade era a melhor coisa que tinha. A ala de queimados também sempre foi referência. Hoje, a realidade é outra. É um estado de calamidade, e cada dia piora mais”, afirmou.
Diante do aumento das denúncias, surgiu o movimento “SOS Hospital São Mateus das Vítimas”, articulado por lideranças locais, pacientes e familiares. Segundo Guigui, presidente da ANESF – Associação Nova Esperança São Francisco, a iniciativa nasceu de forma independente, sem vinculação partidária, com o objetivo de dar voz às vítimas e pressionar por mudanças concretas. “São histórias que não acabam. Recebemos vídeos, fotos, relatos todos os dias. É gente sofrendo, gente morrendo sem atendimento digno”, relatou.

O movimento atua por meio da coleta de denúncias, organização popular e mobilização nas redes sociais. “Hoje são as próprias vítimas que estão falando. Estamos pedindo vídeos de 30, 40 segundos para mostrar a realidade. Isso precisa chegar às autoridades”, explicou.

Gravidade

Dados recentes apontam que o Hospital Geral de São Mateus possui cerca de 250 a 300 leitos e atende uma média de mais de 10 mil pacientes por mês, sendo referência em urgência e emergência para uma ampla área da Zona Leste. Apesar da estrutura, denúncias recorrentes indicam superlotação, déficit de profissionais e falta de insumos básicos — cenário que, segundo funcionários ouvidos em diferentes matérias, tem gerado sobrecarga e adoecimento da equipe.

“Os funcionários estão fazendo milagre. Estão sobrecarregados. Há relatos de profissionais com depressão. E quem paga essa conta é a população”, disse Guigui. Ele citou casos pessoais e de moradores: “Minha tia ficou 15 dias no corredor com o fêmur quebrado. O pai de uma moradora morreu à míngua. Eu mesmo tive que tirar meu pai de lá para não morrer sem atendimento”.

A diretora do Gazeta São Mateus, Lucy Mendonça, reforçou o compromisso do jornal com a causa. “O que estamos vendo é grave. O jornal sempre esteve ao lado da população e não vai se omitir. Vamos acompanhar, dar voz às denúncias e cobrar das autoridades”, declarou.
Lucy também revelou que o tema já chegou ao campo político. “Recebemos a visita da deputada estadual Professora Bebel e do vereador Alessandro Guedes, ambos do PT, que se comprometeram a articular uma CPI sobre o hospital e a realização de uma audiência pública na Assembleia Legislativa. A mobilização popular é fundamental”, citou.

“Nós temos capacidade de mobilizar 20 ônibus, levar a população para a Assembleia, para o Palácio do Governo e ao governador Tarcísio de Freitas. Vamos fazer barulho. Esse movimento não vai parar”, afirmou. Segundo Guigui, um assessor do governo estadual já teria feito um primeiro contato com ele a respeito do caso.

Decadência

Inaugurado com a proposta de ser referência em atendimento hospitalar em Maternidade e Queimados, o Hospital Geral de São Mateus enfrenta, ao longo dos anos, críticas recorrentes quanto à qualidade dos serviços prestados. A atual onda de denúncias, no entanto, indica um agravamento do quadro.

Além da ANESF, o movimento conta ainda com apoio da FESM (Federação dos Empresários de São Mateus), da CDL (Clube dos Lojistas), os dois Rotary Clubes – São Mateus e Avenida Matheus Bei – e do Gazeta de São Mateus. A saúde pública, mais do que um direito, é uma urgência que não pode mais esperar.

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